4.2.1 PRSP em Bangladesh
O processo PRS em Bangladesh iniciou-se em 2001. O I-PRSP do país foi publicado em março de 2003, e a versão final em outubro de 2005. Foi criada uma Comissão de Planejamento do PRSP dentro do Ministério da Fazenda para formular o documento. A reunião das ONGs realizou-se em março de 2002, organizada pela ActionAid Bangladesh e pelo People’s Empowerment Trust (PET). Foi produzida uma declaração solicitando ao Banco Mundial que mudasse o prazo limite de elaboração da versão definitiva do PRSP, com o resultado de que a data final foi adiada de setembro de 2002 para o final de 2003. Pesquisadores e ONGs criticaram o fato de o I-PRSP ter sido redigido por apenas dois especialistas estrangeiros porque o governo queria acelerar o processo a fim de receber créditos e empréstimos mais rapidamente. Criticaram também o fato de as consultas terem sido realizadas apenas com uma elite de profissionais e não com pessoas que vivem, de fato, na pobreza. O conteúdo do I-PRSP, por omitir problemas importantes, como corrupção, defesa civil, saúde e educação, não obriga o governo a mudar nenhuma das suas políticas.
Finalmente, o processo de formulação do PRSP pleno se atrasou e o documento só foi oficialmente adotado em outubro de 2005, praticamente no fim do período legislativo. Por isso, o governo, que foi o iniciador do PRS, não teve muito tempo de iniciar a implementação. Além disso, o documento não foi aceito por todos os ministérios: o ministro da Ciência e Telecomunicações, por exemplo, criticou muito o documento (atirando dramaticamente o livro no chão durante uma reunião oficial em agosto de 2006). O PRS de Bangladesh também não foi discutido no parlamento, o que demonstra que o documento não teve ampla aceitação.
Por parte da comunidade doadora, os Banco Mundial e o FMI aprovaram o documento em dezembro de 2006. Outras instituições, como o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) e o DFID também parecem apoiar o PRS em Bangladesh. O UNDP anunciou em seu website um projeto para monitoramento e avaliação tanto do PRS como das ODMs.
Embora o processo participativo realizado quando da formulação do PRS, a qualidade da participação permanece duvidosa. O processo foi liderado por burocratas que organizavam reuniões pro forma, sem dar margem a que os pobres levantassem a sua voz. No fim apenas algumas pessoas ficaram responsáveis pela redação do documento.
O PRS de Bangladesh é, além do mais, um plano de ação entre muitos outros de teor parcialmente coincidente ou conflitante. No todo, o PRS não tem égide e patrocínio fortes e não é o único documento chave nas políticas públicas do país. Mas mesmo assim, cresceu em importância e ficou expressamente consignado que as ONGs só podem receber financiamentos do exterior para atividades alinhadas com o PRS, depois de uma declaração do governo em 2005 de que não seria permitido às organizações receber verbas internacionais para medidas que não estejam ligadas ao PRSP. (Em Bangladesh, todas as ONGs que recebem valores do exterior têm que estar registradas junto a um órgão governamental (o Escritório para Assuntos relativos a ONGs), e todo projeto tem que ter aprovação final desse órgão.




