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5.1.1 Antecedentes: Do neo liberalismo à redução da pobreza

Nos anos 60, a convicção de que o desenvolvimento poderia ser alcançado através do crescimento econômico e dos “efeitos de gotejamento” da riqueza dominou as políticas do Banco Mundial e do FMI.  Sob a presidência de Robert McNamara, à frente do Banco Mundial de 1968 a 1981, as políticas do banco já pareciam enfatizar a redução da pobreza, sob o “enfoque das necessidades básicas”. No entanto, nos anos 80 a idéia de desenvolvimento via crescimento econômico tornaram a ganhar importância. Os Programas de Ajuste Estrutural (PAEs), tantas vezes criticados, foram introduzidos durante esse período. A visão das duas instituições de Bretton Woods estava centrada em torno do chamado consenso de Washington, que enfatizava a importância das políticas econômicas sólidas e dos mercados livres. Nos anos 90 aumentaram as críticas ao modelo PAEs, não só externamente, nas ONGs e nas organizações da ONU, mas também dentro do próprio Banco Mundial: um relatório interno de 1992 (Relatório Wapenhans) disse que mais de um terço dos projetos do Banco Mundial resultou em fracasso. Além disso, outros relatórios do banco mostraram haver nenhuma ou pouca redução da pobreza na África.  

Além das crescentes críticas aos PAEs, dois outros aspectos podem ser responsáveis pela mudança na política do Banco Mundial em relação à redução da pobreza:

  • Um deles foi a reavaliação do papel do Banco Mundial, postulando que os programas dessem mais peso à redução da pobreza.
  • O outro foi a nova visão do desenvolvimento. A partir dos anos 90 ocorreu uma mudança na compreensão do conceito de desenvolvimento na comunidade internacional. Essa mudança foi marcada por uma série de eventos como a introdução do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas em 1990 (UNDP), a decisão da ONU de instituir o “Dia Internacional da Erradicação da Pobreza“ em 1992, a “Conferência de Cúpula sobre Desenvolvimento Social” em Copenhagen, em 1995, e a formulação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), bem como a iniciativa de alívio de dívidas dos Países Pobres Muito Endividados (HIPC) em 1996.

Agora, a pobreza não é medida apenas em termos dos aspectos monetários, mas também pela dimensão social e política. O desenvolvimento não é mais encarado como um processo puramente técnico de acumulação de capital, dentro de sólidas políticas macroeconômicas, mas também como uma mudança que interesse a toda a sociedade. A mudança significava que as políticas de desenvolvimentos dos países não podiam continuar sendo definidas só pelos doadores. Em vez disso, as idéias e políticas de desenvolvimento tinham que emanar dos próprios países afetados e das suas sociedades. Todas essas mudanças levaram à introdução do conceito de PRSP em 1999. Hoje, mais de 70 países estão promovendo os seus processos PRSP.

Mais informações

Sobre o Relatório Wapenhans: The Wapenhans Report

Conferência de Cúpula para o Desenvolvimento Social: http://www.un.org/esa/socdev/wssd

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: http://www.un.org/millenniumgoals/

Sobre as relações no mundo, veja Hope, Anne e Sally Timmel (1995): Training for Transformation: A Handbook for Community Workers, Book 3, Chapter 9A: The Evolution of Global Thought and Policy, pp. 6-30.

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